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Em entrevista, Dr. Osvaldo Kohlmann Jr. comenta produção científica da Escola Paulista de Medicina


De formação acadêmica centrada na Escola Paulista de Medicina (EPM) da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), Dr. Osvaldo Kohlmann Junior é um dos nomes proeminentes quando se discute a produção científica sobre hipertensão arterial no Brasil. À frente do laboratório experimental de hipertensão da universidade, Dr. Osvaldo coordena pesquisas experimentais e clínicas, além de integrar o corpo docente da disciplina de Nefrologia na instituição.

Em entrevista à Sociedade Brasileira de Hipertensão (SBH), o médico falou sobre a sua trajetória, as linhas de pesquisa que comanda e as conquistas que seu grupo obteve na pesquisa experimental, com avanços em elementos fisiopatogênicos da hipertensão arterial e de complicações renais que a doença acarreta.

Entre as décadas de 1980 e 1990, o grupo e Dr. Osvaldo fez parte de um programa para verificar os benefícios das plantas sete sangrias e secrópia (conhecida também como banana de macaco) sobre a hipertensão arterial. Mais recentemente, desenvolveu estudos com extrato da casca da uva e comprovou experimentalmente o impacto metabólico da substância. Atualmente, as análises clínicas estão sendo desenvolvidas por um importante laboratório farmacêutico brasileiro.

As linhas de pesquisa comandadas por Dr. Osvaldo seguem, tradicionalmente, dois pontos principais. O primeiro está ligado ao estudo da farmacologia e da fisiopatologia em hipertensão arterial, a primeira desenvolvida mais especificamente na parte clínica e a segunda em nível experimental. Nos últimos dez anos, a instituição tem trabalhado também com pesquisas experimentais sobre aspectos metabólicos ligados à hipertensão arterial, ou seja, os impactos de fatores como obesidade, diabetes e síndrome metabólica sobre a doença.

Clique aqui para conhecer em profundidade as linhas de pesquisa em execução na Escola Paulista de Medicina. Todas elas estão abertas para receber novos alunos.

A seguir, confira a íntegra da entrevista concedida por Dr. Osvaldo Kohlmann à SBH:

Conte um pouco sobre a sua trajetória como médico à frente de pesquisas sobre a hipertensão arterial.

Me formei pela Escola Paulista de Medicina em 1975, fiz residência e pós-graduação aqui na instituição, em Nefrologia, terminei a minha pós-graduação de doutorado em 1981 e então fui aos Estados Unidos fazer um Fellowship, um pós-doutorado na Boston University, trabalhando mais especificamente na unidade de hipertensão arterial. Fiquei lá por dois anos, retornei e inicialmente fui contratado para trabalhar como pesquisador aqui da disciplina de Nefrologia. Depois disso fui docente em tempo parcial da disciplina de Nefrologia da Faculdade de Medicina de Sorocaba. E, em 1986, através de um concurso, entrei na carreira docente aqui na Escola Paulista de Medicina, onde estou até hoje. Hoje sou professor associado Nível 4 e desenvolvo tanto docência como pesquisas experimentais e clínicas para pós-graduação (mestrado e doutorado).

Como foi esse período nos Estados Unidos?

Eu passei esse período nos Estados Unidos basicamente em laboratório experimental de hipertensão. Lá, eu fui realmente treinado para essa área. Eu já tinha alguma experiência aqui na época da minha pós-graduação – a minha tese foi experimental –, mas lá fiquei um tempo maior voltado especificamente para a área experimental. De lá, trouxe uma série de áreas, de linhas de pesquisa que continuamos aqui e depois fomos adaptando. Quando eu voltei, assumi o laboratório experimental de hipertensão, que era coordenado pelo Dr. Artur Ribeiro. E, ao mesmo tempo, continuei fazendo também a área clínica.

Poderia contar mais detalhes sobre os estudos que estão em desenvolvimento?

Em geral, as pesquisas que temos feito são voltadas mais para nível de pós-graduação, e no meio disso temos também pesquisas ligadas a laboratórios farmacêuticos, para estudos de novos fármacos, isso principalmente na área clínica. Dentro das linhas de pesquisa, trabalhamos basicamente dois aspectos: um deles está ligado à farmacologia em hipertensão arterial (principalmente clínico) à fisiopatologia (experimental). Além disso, mais recentemente temos trabalhado com aspectos metabólicos ligados à hipertensão arterial, então com fatores como obesidade, síndrome metabólica e diabetes relacionados à hipertensão arterial. São pesquisas experimentais, principalmente.

Nós induzimos obesidade, síndrome metabólica ou diabetes em ratos – trabalhamos predominantemente com ratos – e então avaliamos os impactos. Por exemplo, em um modelo de obesidade com um determinado tratamento, observamos qual é o reflexo disso sobre o rim, sobre o coração e assim por diante. Avaliamos não só o impacto de fármacos, mas também de modificações de dieta – hipercalóricas, dietas hipocalóricas, dietas com conteúdo de sal aumentado ou com conteúdo de potássio aumentado (até no sentido de reverter complicações, porque o potássio é vasodilatador, então pode ajudar a controlar a pressão arterial). Essa tem sido a linha básica atual: um foco centrado em metabolismo principalmente glicídico e lipídico, hipertensão arterial e doença renal.

E quanto à área clínica?

Do ponto de vista clínico, temos trabalhado também com o foco maior nesse aspecto dos tratamentos, mas não obrigatoriamente ligados à parte metabólica, e sim em hipertensão arterial essencial no indivíduo que não tem distúrbios metabólicos, avaliando principalmente aspectos fisiopatogênicos de como a doença renal evolui, como determinados tratamentos anti-hipertensivos impactam tanto na doença renal como na doença cardíaca, e como essas coisas se correlacionam.

Quais foram os principais avanços na pesquisa sobre hipertensão do seu grupo? Destacaria quais descobertas e marcos?

Na pesquisa experimental, tivemos vários avanços em aspectos tanto de fisiopatogenia da hipertensão arterial, e principalmente das complicações renais que a doença acarreta. Produzimos várias pesquisas demonstrando o que acontece com o rim, por exemplo, quando um determinado tipo de hipertensão se associa a um determinado tipo de situação, como a ocorrência de diabetes. Estudamos também os impactos dos tratamentos convencionais utilizados na terapêutica de hipertensão arterial comercial. Ao mesmo tempo, entre 1985 e 1990, mais ou menos, desenvolvemos um programa com a CEME (Central de Medicamentos) do Ministério da Saúde, que existia naquela época, com produtos naturais.

Testamos experimental e clinicamente determinadas plantas popularmente conhecidas por serem úteis para tratamentos de hipertensão arterial. Investigamos esse impacto. Trabalhei basicamente com duas delas, uma chamada sete sangrias e a outra era popularmente conhecida como banana de macaco, a secrópia. As coisas evoluíram de uma certa maneira, demonstramos o benefício da secrópia, e isso foi para parte clínica. Mas aí surgiram alguns problemas metodológicos, precisávamos de maior investimento. Nesse meio tempo, a CEME foi extinta e isso se perdeu. Era um projeto grande, que envolvia não só a Escola Paulista de Medicina. Daqui eram cinco ou seis grupos envolvidos, sob a coordenação do Prof. Elisaldo Carlini, que era da área de psicofarmacologia. Eram vários grupos e de várias universidades, do país inteiro, e depois não deu em nada. Ficou parado.

E sobre os estudos mais recentes, o que gostaria de ressaltar?

Mais recentemente, em colaboração com um laboratório farmacêutico, desenvolvemos uma série de estudos experimentais com extrato da casca da uva. Demonstramos experimentalmente que, nesses modelos metabólicos, o extrato da casca da uva tinha um impacto em melhorar a sensibilidade à insulina e consequentemente tornar o metabolismo da glicose mais eficaz, inclusive revertendo determinadas alterações metabólicas, assim como as alterações metabólicas sobre a insulina que ocorrem em determinados modelos de obesidade. Chegamos a uma série de resultados e isso foi transposto para a área clínica em laboratório.

Como o senhor avalia o panorama de pesquisas científicas no Brasil?

Há cerca de 10 ou 15 anos, os pós-graduandos que estavam comigo eram essencialmente médicos. De lá para cá, esse perfil mudou. Hoje, tenho mais orientandos não-médicos do que médicos. O que acabou acontecendo, e aí é uma questão de fomento de pesquisa no País, é que na realidade o médico se interessa menos pela área de pesquisa por questões econômicas. Hoje temos muito menos médicos procurando fazer pesquisa. Ou, quando vêm, vêm para um mestrado, mais em uma fase inicial da carreira, mas, em geral, eles acabam indo para a parte clínica. Esse é um grande problema. Tenho cinco pós-graduandos em andamento comigo, e só um é médico. O panorama mudou e não sei como vai evoluir ao longo do tempo.

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