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Controlar a hipertensão arterial ainda é desafio

Ontem foi o Dia Nacional de Combate à Hipertensão, uma data presente em nossa constituição desde 2001. No entanto, o Brasil não tem muito a comemorar. O Ministério da Saúde divulgou que a proporção de brasileiros com hipertensão subiu de 21,5%, em 2006, para 24,4% no ano passado.

Outro estudo, ainda inédito, conduzido entre fevereiro e junho de 2008, avaliou 2.810 indivíduos em tratamento da Hipertensão Arterial (HA) para verificar o controle da doença. O trabalho “Controlar Brasil”, liderado por mim, contou com a participação de mais de 300 médicos de todas as regiões do país e está para ser publicado nos Arquivos Brasileiros de Cardiologia.

Na análise total, independentemente da condição a que se enquadravam os indivíduos, 53,3% deles apresentavam-se com PA maior que 140 x 90 mm Hg, valor considerado inadequado. Para pacientes de alto risco, o controle da doença não passa dos 35%. Isso mostra um cenário ainda mais grave, pois os indivíduos de maior risco e que, portanto, necessitam de controle mais intenso eram exatamente os que menos apresentavam a PA controlada. Os índices alcançados foram muito baixos e não refletem o índice geral, uma vez que os pacientes avaliados estavam todos em tratamento.

A HA é uma doença direta ou indiretamente responsável pelas altas taxas de morbidade e mortalidade decorrentes das doenças cardiovasculares. Estudos têm demonstrado, entretanto, que os benefícios decorrentes do tratamento da HA são maiores quando o controle é mais rigoroso. Entretanto, apesar de várias evidências tanto demonstrando os riscos da hipertensão arterial quanto os benefícios advindos do seu tratamento, ainda é pequeno o número de pacientes diagnosticados, sob tratamento e com PA controlada em todo o mundo.

Talvez o maior desafio a ser vencido por todos que trabalham com pacientes com hipertensão arterial seja o de entender o por que conseguimos controlar tão pouco a doença. Acredita-se que seja pelas características multifatoriais envolvidas no tratamento, mas também as questões relacionadas ao médico e ao paciente. Além da HA ser uma inimiga silenciosa, sem sintomas, que fazem com que o paciente se esqueça dela. Também devemos considerar a baixa adesão às prescrições médicas, custos dos medicamentos, crenças sobre o tratamento e à própria doença, baixa freqüência às consultas, efeitos adversos, além de outras.

É com este objetivo, de alertar a população para o cuidado com a pressão alta, que a Sociedade Brasileira de Hipertensão promove uma série de atividades e campanhas sobre a importância da medição da pressão arterial e a manutenção do tratamento. Este ano, com o intuito de ampliar o alcance, está participando na organização, junto à Sociedade Brasileira de Cardiologia e a Sociedade Brasileira de Nefrologia, da Campanha do Ministério da Saúde cujo tema principal é \"Prevenir a Hipertensão é uma Escolha. Só depende de Você\". Uma vez que seguir o tratamento, uma dieta balanceada, comer menos gordura, ingerir menos sal, fazer exercícios físicos, não beber, não fumar, são escolhas que fazemos diariamente em nossas vidas e que podem trazer benefícios enormes para nossa saúde e qualidade de vida.

Dr. Fernando Nobre, presidente da Sociedade Brasileira de Hipertensão



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