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Estudo mostra a resistência dos hipertensos em mudar a dieta


Um estudo realizado pelo Instituto do Coração, em São Paulo, mostrou por que os médicos encontram tanta dificuldade para tratar os pacientes com pressão alta demais.

Hipertensos e teimosos. "O médico proibiu, mas eu não tenho vergonha. A gente não tem vergonha e depois sofre as consequências”, diz a dona de casa Maria Lucia Silva.
Pior é que tal mãe, tal filha. “Eu fui com pico de 10 por 6 e 20 por 10 no mesmo dia. Foi sábado passado”, conta a dentista Carla Pereira, comendo um lanche. “Eu já estou melhor. É erro.”

O cardiologista Luiz Bortolotto, do Instituto do Coração, que acompanhou a entrevista, diz que 87% dos pacientes pesquisados no Incor de São Paulo não mudam seus hábitos.
“O que tem que fazer é bater sempre na mesma tecla. Conversar com o paciente, explicar por que tem que fazer a dieta para evitar os riscos”, ensina o médico.

Tendência familiar, falta de exercícios e obesidade contribuem, mas a principal causa da hipertensão é o abuso do sal ou do sódio dos alimentos industrializados. O brasileiro consome, em média, mais que o dobro do que deveria, e o resultado é desastroso para a saúde.

Na hipertensão, os vasos e artérias se contraem, dificultando a passagem do sangue. O coração fica sobrecarregado e os infartos acontecem. Há risco de rompimento dos vasos do cérebro causando derrames. Os rins sofrem e podem parar de funcionar.

Para combater o mal que atinge 30% dos adultos, 50% dos idosos e 5% das crianças e adolescentes do país, profissionais de saúde foram até um centro comercial de São Paulo fazer o controle que muitos não fazem.

“Mudar de hábito está muito difícil. Mas a gente tem que mudar, porque é aquela história. É a saúde da gente”, conta um homem.

“A partir de hoje eu vou mudar”, garante uma mulher.
Abolir o saleiro da mesa, diminuir o consumo de industrializados e controlar o saquinho de sal em casa podem ser um bom começo.

“Se você tem quatro pessoas e cada uma deveria comer no máximo cinco gramas, são 20 gramas por dia; 600 ao mês. Um quilo de sal deveria durar quase dois meses”, ensina Décio Mion, da Sociedade Brasileira de Hipertensão.

Cinco gramas de sal por dia equivalem a duas colheres e meia daquelas bem pequenas, de café.

 

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