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Alerta da ANVISA sobre o risco de câncer de pele em associação com o uso crônico de hidroclorotiazida

 

 

Helio Cesar Salgado

 

Presidente

 

Frida Liane Plavnik

Sociedade Brasileira de Hipertensão

Vice-Presidente

 

Katia de Angelis

Marcia Regina S.T.Klein

 

Secretárias

 

Dulce Elena Casarini

Juliana A Colucci Barros

Decreto de Utilidade Pública Federal  pela Portaria nº 25 de 08/01/2001

Tesoureiras

Decreto de Utilidade Pública Estadual pela Portaria nº 46.459 de 28/12/2001

Decreto de Utilidade Pública Municipal pela Portaria nº 42.816 de 29/01/2003

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Luiz A. Bortolotto

Diretor Cientifico 

 

Mario Fritsch Toros Neves

Presidente Anterior

 

 

 

Alerta da ANVISA sobre o risco de câncer de pele em associação com o uso crônico de hidroclorotiazida

 

Frente à recente notificação de segurança da ANVISA sobre a associação entre o uso do diurético hidroclorotiazida e o risco de câncer de pele não-melanoma (carcinoma basocelular e carcinoma de células escamosas) algumas ponderações são importantes para orientar médicos e a população em geral. 

 

O alerta foi embasado em estudos recentemente publicados, realizados na Dinamarca, que mostraram essa associação (1-3). No entanto, conforme apontado pelos próprios autores existe uma limitação importante do estudo que envolve a falta de avaliação à radiação ultravioleta (UV) a que os indivíduos foram expostos no período. 

 

É fato inconteste que o principal fator de risco para esse tipo de câncer é a exposição à radiação ultravioleta (4), e, além disso, a maior parte da população dinamarquesa apresenta pele tipo I e II, o que significa que os mesmos não estão adaptados à exposição intensa a este tipo de radiação (5,6).

 

Ainda em relação à incidência do câncer de pele na Dinamarca, dados epidemiológicos apontam que houve aumento na incidência entre 1978 e 2007, de 27,1 para 96,6 casos/100.000 pessoas-anos para o carcinoma basocelular entre as mulheres, e de 34,2 para 91,2 casos entre homens. Já o carcinoma de células escamosas aumentou de 4,6 para 12,0 casos por 100.000 pessoa-anos entre as mulheres, e de 9,7 para 19,1 casos por 100.000 pessoas-ano para os homens.

 

Como discutido em alguns estudos, os casos de câncer de pele são significativamente maiores entre pessoas com idade inferior a 40 anos em comparação com os idosos (4). E dentre os fatores que contribuem para essa maior incidência estão o aumento do uso de bronzeamento artificial, maior exposição à luz solar para atividade física, e atividades de lazer (7). Portanto, é possível que essa situação de aumento na incidência de câncer de pele é, especialmente, relevante nesta população de pacientes.

 

Apesar desta evidência demonstrada nestes dois estudos, uma revisão da literatura e meta-análise voltada para a relação dos agentes anti-hipertensivos e o risco de câncer de pele, publicada em 2018, apontou que dentre os usuários de outras classes de antihipertensivos, tais como os bloqueadores dos canais de cálcio e betabloqueadores, havia maior risco deste tipo de câncer, enquanto os diuréticos tiazidicos não mostravam a mesma associação (8).

 

A hidroclorotiazida (medicamento com ação diurética pertencente à classe dos tiazídicos; usado no tratamento da hipertensão arterial em condições onde há retenção de líquido, e outras condições clínicas) é uma medicação amplamente utilizada desde o final dos anos 50, quando os medicamentos disponíveis para tratamento da hipertensão arterial eram muito escassos, e as doses utilizadas eram significativamente superiores às que empregamos nos dias hoje; quer isoladamente, quer em combinação com outros fármacos. As informações sobre a hidroclorotiazida revelam que a fotossensibilidade é um dos eventos adversos esperados, a qual ocorre, mais frequentemente, com doses superiores a 25 mg/dia.

 

 

Assim, o fato preocupante é que a extrapolação dos resultados de estudos tão específicos, frente à literatura disponível que discute a necessidade de estudos adequados, prospectivos, controlados, para a população brasileira; possa representar um alto risco de abandono do tratamento da hipertensão arterial, com consequências extremamente graves, em um cenário onde a adesão ao tratamento já é bastante baixa. (9)

 

Por isso, é importante, a nosso ver, uma avaliação detalhada dessa informação em nossa população, e não apenas a emissão de um alerta, mesmo que este indique a necessidade de informação ao paciente.

 

 

Referências.

 

  1. Pedersen SA, Gaist D, Schmidt SAJ, Hölmich LR, Friis S, Pottegård A. Hydrochlorothiazide use and risk of nonmelanoma skin cancer: A nationwide case-control study from Denmark. J Am Acad Dermatol. 2018 Apr; 78(4):673681.
  2. Sarah N.Robinson, Michael S.Zens, Ann E.Perry, Steven K.Spencer, Eric

J.Duell, Margaret R.Karagas. Photosensitizing Agents and the Risk of NonMelanoma Skin Cancer: A Population-Based Case–Control Study. Journal of

Investigative Dermatology. Volume 133, Issue 8, August 2013, Pages 19501955.

  1. PRAC recommendations on signals.
  2. Young C. Solar ultraviolet radiation and skin cancer. Occup Med (Lond) 2009; 59:82–8.
  3. Fitzpatrick T. The validity and practicality of sun-reactive skin types I through VI.

Arch Dermatol 1988; 124:869. 

  1. Køster B, Søndergaard J, Nielsen JB, et al. The validated sun exposure questionnaire—association of objective and subjective measures of sun exposure in a Danish population based sample. Br J Dermatol 2016; 176:446–

56.

  1. Birch-Johansen et al. Trends in the incidence of nonmelanoma skin cancer in Denmark 1978–2007: rapid incidence increase among young Danish women.

Int. J. Cancer: 127, 2190–2198 (2010) VC 2010 UICC.

  1. Gandini S et al. Anti--hypertensive drugs and skin cancer risk: a review of the literature and meta-analysis. Critical Reviews in Oncology / Hematology 122 (2018) 1–9.
  2. 7ª Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial. Arq Bras Cardiol Volume 107, Nº 3, Suplemento 3, Setembro 2016: 1-6.

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